Existe uma preocupação crescente com a fertilidade no mundo industrializado de hoje. Quase 14% dos casais tem problemas de infertilidade. 40 a 50% destes problemas estão associados à mulher. Há muitas coisas que podem afectar a saúde reprodutiva, e que podemos controlar - Fumar, consumo de álcool, cafeína, hábitos alimentares, peso, práticas sexuais têm impacto na fertilidade e está ao nosso alcance controlá-los.
A maior parte das mulheres não tem consciência do quanto podem ser importantes estas escolhas nas suas futuras tentativas de conceber.
De seguida vamos analisar estes estilos de vida e como afectam a saúde reprodutiva.
Problemas de peso
O peso corporal desempenha um papel vital na fertilidade.
A obesidade tem sido associada à infertilidade e irregularidade menstrual. Mulheres com excesso de peso mas sem Síndroma de Ovário Policistico sofrem dos mesmo problemas com ovulação e anomalias menstruais que aquelas que têm ovários policisticos, e na maioria dos casos isto é medicamente inexplicável. Mas muitas mulheres obesas que se trataram com planos de dietas e exercício, voltaram a ser férteis. Em mulheres com excesso de peso, com irregularidade na ovulação e menstrual, uma perda de 6,5Kg restaurou a ovulação normal. Assim acredita-se que o melhoramento na resistência à insulina atingida com a perda de peso teve mais importância no retorno à ovulação normal do que a quantidade de peso perdido.
Vários estudos demonstram que um Índice de Massa Corporal (IMC) de 23-30 é considerado excesso de peso, e que um IMC acima de 30 é considerado obesidade.
Tal como o excesso de peso é considerado mau para a fertilidade, o baixo peso pode causar uma disfunção nos ovários e consequentemente infertilidade.Numa mulher com o peso ideal ( IMC de 20-25), uma perda moderada de peso de 10 a 15% pode causar irregularidade menstrual. O ganho de algum peso nas mulheres com peso baixo restaurou a ovulação e resultou em gravidez em muitos casos. Um IMC de 17,5-20 é considerado baixo peso, abaixo de 17,5 é considerado muito baixo peso.
Tabaco
Ao longo dos anos, vários estudos vieram reiterar consistentemente que o tabaco diminui a fertilidade. As fumadores sofrem um risco de menopausa 1,5 a 3 anos antes do normal, diminuição do estrógeneo associado a hemorragias e fase lútea do ciclo menstrual mais curta. Tudo isto sugere que fumar tem alguns efeitos tóxicos directamente nos folículos. A nicotina, um componente do fumo do cigarro, concentra-se no muco cervical e os metabolitos também já foram encontrados no fluido folicular. Acredita-se que estes factos sejam responsáveis pelo atraso no crescimento e maturação dos folículos nas fumadoras. Fumar está também associado à gravidez ectópica e aborto espontâneo, o que sugere que também afecta as trompas e a mobilidade nas trompas.
Idade
A civilização tem as suas consequências. É comum ver nos países industrializados as mulheres a adiarem a maternidade para poder aproveitar oportunidades de estudos e de carreira.
O que a maior parte das mulheres nesta situação não se apercebe, é de que o envelhecimento traz consigo muitos efeitos no nosso corpo e o sistema reprodutor não é excepção.
Alguns dos efeitos da idade na fertilidade são:
- Envelhecimento dos folículos, afectando a regularidade menstrual e da ovulação - o endométrio tem mais tempo para se espalhar pelos ovários e trompas, reduzindo a mobilidade destes órgãos.
- Desenvolvimento de fibromas que pode causar hemorragia do endométrio e afectar a cavidade endometrial afectando a capacidade de ter uma gravidez de sucesso.
- Adesões abdominais de outras cirurgias abdominais ou quistos ováricos também podem afectar a mobilidade das trompas, necessárias para transportar o óvulo fecundado.
Álcool e Infertilidade
A totalidade dos efeitos do consumo de álcool na fertilidade podem não estar perfeitamente esclarecidos, mas uma coisa é certa, o consumo excessivo de álcool pode levar à infertilidade. Num estudo chegou-se à conclusão que mulheres que abusavam do álcool faziam mais cirurgias ginecológicas.
O álcool também é conhecido por alterar os níveis de estrógeneos e progesterona e causar anovulação ( menstruação sem ovulação). Não está ainda claro, contudo, é a quantidade de álcool que pode afectar a fertilidade, ou em alternativa, até que quantidade é seguro.
Está provado que durante a gravidez, uma média de duas ou mais bebidas por dia pode causar problemas no feto. Outro estudo mostra que o consumo de mais de 100 gramas de álcool por semana ( 1 bebida por dia ) está associado a problemas de ovulação.
Cafeína
Também está provado que o consumo de cafeína pode afectar a capacidade de conseguir engravidar e de prosseguir com a gravidez. Isto porque durante a fase lútea o corpo não processa tão bem a cafeína. Estudos em animais e humanos também mostraram um risco maior de aborto espontâneo associado a um maior consumo de cafeína, bem como uma diminuição no crescimento fetal. O consumo de três ou menos cafés por dia pode ser inofensivo, mas mais do que esta quantidade pode causar problemas de fertilidade.
Mulheres com Doenças Sexualmente Transmissíveis não tratadas, especialmente gonorreia e clamidia, têm também um maior risco de infertilidade.
As escolhas que fazemos todos os dias têm um impacto positivo, ou negativo, na nossa capacidade de conceber.
Tome as decisões certas e desfrute de uma melhor saúde reprodutiva.
Autor:Michael Russell
http://infertility.guide-for-you.com/